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O Estalão do Cão da Serra da Estrela
Em seguida transcreve-se o estalão da raça em vigor,
aprovado pelo Clube Português de Canicultura e reconhecido
pelo FCI (Federation Cynologique International).
Tem havido algumas tentativas de revisão do estalão,
mas nunca chegou a ser submetido ao FCI, de forma que
o antigo estalão permanece em vigor e é internacionalmente
reconhecido e traduzido em todas as línguas.
Nas descrição das cores da raça encontram-se muitas
tonalidades, do amarelo claro ao fulvo escuros e misturas
de lobeiro claro ao escuro e lobeiro com tons fulvos,
raiado, sobretudo na variedade de pêlo curto. Não é
admitida a cor preta e branca, dando-se preferência
aos exemplares sem calçado branco nas patas.
"Tem o seu solar na Serra da Estrela desde remotas
eras, perdendo-se no tempo a sua verdadeira origem.
Deve ser, no entanto, uma das raças caninas mais antigas
da Península Ibérica.
Encontra-se desde as imediações das faldas da Serra,
até às mais elevadas altitudes (2000 metros aproximadamente),
sobretudo no verão em que, desaparecida a neve, as pastagens
vicejam nas altas planuras, sendo procuradas pelos gados,
visto nas regiões do sopé, o calor excessivo ter dessecado
toda a vegetação pascigosa. Os cães acompanhavam os
rebanhos, como guardiões vigilantes, defendendo-os das
feras que tais paragens infestam. Encontram-se, ainda,
dispersos por vários pontos do país, sobretudo no Centro,
vindos da Serra quando cachorros ou nascidos já de
reprodutores oriundos das regiões serranas.
(observações da Licrase: Hoje podemos encontrar exemplares
desta raça espalhados por todo o país e núcleos em muitos
países estrangeiros.)

I. Aspecto Geral e Aptidões
Cão convexilíneo, molossóide, de tipo mastim, inseparável
companheiro do pastor e guarda fiel do rebanho que encarniçadamente,
defende contra os lobos e ladrões de gado. Esplêndido
guarda pessoal e até utilizado, com vantagem, como animal
de tracção.
Animal rústico, bem entroncado, com viveza de andamentos
e imponente de atitudes. Olhar vivo, calmo e expressivo.
Respeitável pela sua atitude dissuasiva para com os
estranhos e de uma docilidade característica junto do
pastor.
Bem proporcionado, morfologicamente perfeito, de uma
acentuada harmonia de conjunto, reveladora de uma pureza
étnica radicada pelo tempo.
II. Cabeça
Forte, volumosa, de maxilas bem desenvolvidas. Pele
lisa no crânio e face. Alongada e ligeiramente convexa;
de chanfradura nasal (stop) pouco pronunciada, e a uma
distância aproximadamente igual da ponta do focinha
e do vértice do crânio. Boa inserção. Proporcionada
ao corpo, bem como o crânio em relação à face, o que
lhe dá em conjunto, uma acentuada harmonia.
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Região Crânio-frontal: Bem desenvolvida,
arredondada e de perfil convexo.
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Crista Occipital: Apagada
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Orelhas: Pequenas em relação
ao conjunto (11 cm de comprimento por 10 cm de largura),
de média inserção; inclinadas para trás; caindo lateralmente,
encostadas à cabeça e deixando ver na base, um pouco
da face interna. São permitidas orelhas cortadas,
tendo porém, preferência, as orelhas inteiras.
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Olhos: Horizontais, aflorados,
de forma oval, regulares no tamanho, iguais e bem
abertos; de expressão inteligente e calma; cor âmbar
escuro, de preferência. Pálpebras fechando bem, e
de bordos orlados de negro. Sobrolhos um tanto aparentes.
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Chanfro: Alongado estreitando
para a ponta, sem afilamento; tende para o rectilíneo,
na sua maior extensão, e muito ligeiramente convexo
junto ao bico.
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Ventas: Direitas,
largas e bem abertas. Sempre mais escuras do que a
pelagem e, de preferência, pretas.
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Boca: Bem rasgada, de lábios grandes,
pouco espesso não pendentes e bem sobrepostas. Mucosa
bocal e céu da boca intensamente pigmentados de preto,
bem como os bordos labiais. Dentes fortes, brancos,
bem implantados e adaptando-se bem.
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Pescoço: Direito, curto e grosso;
bem saído, bem unido e embarbelado sem demasia.
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Peito: Bem arqueado, sem ser cilíndrico;
largo, profundo e bem descido.
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Linha superior: Dorso quase horizontal
e de preferência curto; rins largos, curtos, bem musculados
e bem unidos, com a garupa, que é um pouco descaída.
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Linha inferior: Abdómen pouco
volumoso, proporcionado à corpulência do animal, ligando-se
insensivelmente com as regiões confiantes; a linha
inferior deve elevar-se, de uma forma gradual, mas
suave, do esterno às virilhas.
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Cauda: Inteira, comprida, chegando
até à ponta do curvilhão quando o animal está tranquilo.
Grossa, em cimitarra; de média inserção; bem guarnecida
de pêlos e franjada nos cães de pêlo comprido, formando
gancho na ponta. Porte abaixo da horizontal, caindo
naturalmente entre as coxas quando parado. Excitado
o animal e em movimento, a cauda ultrapassa a horizontal,
encurvando-se para cima, para diante, para o lado
e para baixo.
IV. Membros anteriores e posteriores
Bem aprumados, quando colocado o animal em posição
conveniente. Aqntebraço ecanelas aproximando-se da forma
cilíndrica. Esqueleto bem constituído, bem musculado
e com forte ossatura. Articulações grossas; ângulos
de abertura regular, com grande facilidade de movimentos.
Curvilhão um pouco descido, regularmente aberto e de
boa direcção, seguindo-se-lhe uma canela vertical.
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Pés: Proporcionados à corpulência
do animal. Bem constituídos; nem muito redondos, nem
alongados em excesso; intermédios dos pés de gato
e de lebre, de forma a evitar o espalmado. Dedos grossos,
bem unidos e providos de pêlos abundantes nos espaços
inter-digitais e entre os tunérculos plantares. Palmas
grossas e duras. Unhas escuras, ou antes pretas e
bem saídas. Podem apresentar presunhos simples ou
duplos.
(Observação da Licrase: Dando-se nítida preferência
aos exemplares sem malhas brancas, mas permitindo malhas
brancos no peito)
VI Altura
De 65 a 72 cm para os cães, de 62 a 68 cm para as cadelas.
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Cabeça
Comprimento do crânio: 13,5 a 14,5 cm
Largura do crânio: 12,5 a 14 cm
Comprimento do chanfro:12 a 13 cm
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Torax
Perímetro: 70 a 80 cm
Largura: 18 a 20 cm
Altura: 28 a 29 cm
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Linha superior do tronco: Comprimento
do tronco: 63 a 65 cm
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Comprimento
Do corpo: 68 a 73 cm
Da cauda: 40 a 45 cm
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Altura
Do garote: 62 a 72 cm (tolerância 4 cm)
Do membro anterior: 34 a 37 cm
Da garupa: 67 a 69 cm
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Peso
Machos: 40 a 50 kg
Fêmeas: 30 a 40 kg
VII Andamentos:
Movimentos normais e fáceis.
VIII Defeitos:
Penalizações e desqualificações:
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Cabeça: muito estreita, comprida
e afilada; Maxilas - prognatismo
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Olhos - gázeos ou desiguais de
tamanho.
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Orelhas - má inserção, muito grandes,
carnudas e redondas.
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Cauda - amputada, rudimentar ou
falta de nascença.
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Pelagem - albinismo, ventas muito
claras e em especial, almaradas, pêlo afastando-se
muito do tipo natural.
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Corpulência - excessiva (gigantismo)
ou diminuta (nanismo), podendo conceder-se uma tolerância
de mais ou menos 4 cm.
Nomenclatura das Cores no Cão
da Serra da Estrela
No estalão da raça Cão da Serra
da Estrela "....só são admitidas as pelagens
fulva, lobeira a amarela, unicolores ...", sendo em
nossa opinião, manifestamente insuficiente para
enquadrar toda a gama de cores observáveis fenotipicamente,
na raça em questão.
Em cinotécnia é sabido que existem dois
tipos de melanina fundamental na determinação
da cor que os cães apresentam na sua pelagem,
quando adultos, sendo estas a Eumelanina e a Feomelanina.
A primeira, é um pigmento produzido na derme
do cão, que ao depositar-se no pelo em crescimento,
vai dar origem a pelagens de cor preta e/ou castanha.
A segunda, é também um pigmento produzido
do mesmo modo, e que da mesma forma, isto é ao
depositar-se no pelo em crescimento vai dar origem a
pelagens de cor fulva, nos seus vários gradientes
de intensidade de cor, que vão do amarelo (genotipo
mínimo) ao vermelho/caju (genotipo máximo),
sendo o fulvo uma cor intermédia das duas anteriormente
mencionadas, a que corresponde um amarelo dourado.
A cor branca, que é uma cor e não uma
tara genética, como muitas vezes os criadores
tendem a pensar, manifesta-se quando há ausência
total dos pigmentos melanicos atrás referidos,
em toda a pelagem do cão ou apenas em determinadas
zonas do mesmo.
O cão da Serra da Estrela apresenta uma pelagem
do tipo composta binária. É característico
deste tipo de pelagens, que a sua constituição
seja feita por uma mistura de pelos diferentemente coloridos,
podendo apresentar o mesmo pelo duas cores distintas
na sua extensão, ou ainda, apresentarem zonas
do corpo diferentemente coloridas. Uma característica
deste tipo de pelagens, e que se verifica no Cão
da Serra da Estrela, é a presença de mascara,
onde todos os pelos da mesma, em menor ou maior extensão,
são pretos ou seja Eumelanicos.
É extremamente interessante e fundamental para
a nomenclatura das cores nesta magnifica raça
portuguesa, verificar que a transmissão genética
das feomelaninas e eumelaninas se faz de forma independente,
ou seja, que a informação genética
para estes dois tipos de melanina, se encontra em "locus"
diferente, e muito provavelmente até em pares
de cromossomas distintos.
Com base no exposto no parágrafo anterior, podemos
afirmar que as pelagens do Cão Serra da Estrela,
resultam da conjugação de uma determinada
Cor Base, tendo como o próprio nome refere origem
nas eumelaninas.
Relativamente ao Padrão de Distribuição
das Eumelaninas, no Cão da Serra da Estrela,
observa-se a existência de dois padrões
essenciais: LOBEIRO e RAIADO.
No Lobeiro a pelagem é negra na superfície
do manto, dando a sensação visual de que
o cão é negro, em virtude dos pelos do
cão serem pretos na sua extremidade. No entanto
a base dos mesmos apresenta uma determinada cor feomelanica.
O Raiado é caracterizado pela presença
de zonas transversais eumelanincas, ou seja pretas,
sob um fundo feomelanico. Este tipo de padrão
é mais notório e facilmente visualizado,
na variedade de pêlo curto ou em cães de
pelo comprido de tenra idade.
A Cor Base, que como já referido tem uma origem
feomelanica, apresenta-nos as cores fulvas, nos seus
vários gradientes de intensidade de cor. Verifica-se,
no entanto, a existência de um factor recessivo
de diluição das feomelaninas, que se manifesta
pelo facto de ser recessivo, apenas quando em homozigotica,
isto é quando a informação genética
para este caracter, é transmitida por ambos os
progenitores ao seu descendente, e confere aos pelos
eumelanicos uma cor "Branco sujo". Este tipo de pelagem,
cujo pelos fulvos foram convertidos em branco sujo,
pela acção do factor de diluição,
designa-se CINZA. Os cachorros desta cor aquando do
nascimento são negros num tom muito próximo
do preto, vindo com o seu crescimento a tornarem-se
cada vez mais claros até atingirem o tom cinza.
Assim, quando na pelagem de um Cão da Serra
da Estrela não há qualquer manifestação
de um padrão de distribuição de
eumelaninas, manifestando-se fenotípicamente
apenas a cor base, resultarão cães de
cor FULVA ou CINZA, nos diferentes gradientes de intensidade
de cor.
Por outro lado, quando existe a manifestação
fenotípica de um determinado padrão eumelanina
(Lobeiro ou Raiado) conjugado com as cores base descritas,
resultarão cães de pelagem LOBEIRO FULVO,
LOBEIRO CINZA, RAIADO FULVO e RAIADO CINZA, também
nos seus vários gradientes de intensidade de
cor.
Em conclusão, torna-se urgente a admissão,
no estalão da raça Cão da Serra
da Estrela das cores Fulvo, Cinza, Lobeiro Fulvo, Lobeiro
Cinza, Raiado Fulvo e Raiado Cinza, de modo a que em
todo o meio cinófílo, composto por Juizes,
criadores, proprietários e amantes da raça,
se comece em uníssono, a designar as cores desta
carismática raça Portuguesa, pelos seus
correctos nomes.
Edgar A. Mota Veiga Dolgner
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